Hospital Regional retoma cirurgias eletivas

Este tipo procedimento cirúrgico não vinha sendo feito no Hospital Regional, e os pacientes eram encaminhados para Dourados ou Campo Grande.

Por: Leonardo Cremer

Hospital Regional Dr José de Simone Netto - Cópia

O Hospital Dr. José de Simone Netto (Hospital Regional de Ponta Porã) voltou a realizar cirurgias eletivas em abril. Desde 2015, este tipo procedimento cirúrgico não vinha sendo feito no Hospital Regional, e os pacientes eram encaminhados para Dourados ou Campo Grande. Apenas cirurgias gerais de caráter de urgência eram realizadas.

De acordo com o Ministério da Saúde, procedimento cirúrgico eletivo é todo aquele atendimento prestado ao usuário com possibilidade de agendamento prévio, sem caráter de urgência ou emergência. O Hospital Regional de Ponta Porã realiza por agendamento nove tipos de cirurgias eletivas hérnia inguinal; hérnia umbilical; hérnia epigástrica; hérnia incisional; colecistectomia (retirada da vesícula); histerectomia; perineoplastia (cirurgia para correção da região genital da mulher) e oforectomia (retirada de um ou dois ovários). E o encaminhamento desse fluxo de cirurgias ficou mais rápido para quem está na fila de espera. A solicitação é feita pelas secretarias municipais de saúde dos municípios da microrregião, mas é por intermédio da Secretaria Municipal de Saúde de Ponta Porã e do Sistema de Regulação (SISREG), que os pacientes são encaminhados para o pré-operatório e para o Hospital.

Lilian Raquel Quintana Velasques, de 40 anos, faturista hospitalar e moradora de Ponta Porã, é uma das pacientes que fez cirurgia ginecológica, uma histerectomia (retirada do útero). Lilian sofreu durante três anos fortes cólicas e hemorragias devido a um mioma no útero. “O intervalo das hemorragias era apenas de uma semana, eu sentia muita dor. Hoje faz um mês da minha cirurgia e é outra vida, me sinto maravilhosa. Só tenho a agradecer o retorno das cirurgias eletivas. Aproveito também para parabenizar o acolhimento que tive, pela educação de todos desde a limpeza, a alimentação e especialmente o carinho e profissionalismo da equipe médica”, conta.

A gari Eva Alem Ortega, 55 anos, veio de Antônio João para ser operada de uma hérnia. “Quando a moça me ligou avisando que minha cirurgia ia acontecer eu pulei de tanta alegria. Foram três anos de espera, muito sofrimento e era difícil para trabalhar. Saber que essas cirurgias estão favorecendo nós de outras cidades é muito gratificante”. Para o funcionário público Theo Andreoli Correa, de 37 anos, que também sofreu por dois anos aguardando uma cirurgia de hérnia, o processo de agendamento do Hospital foi rápido. “Estou muito feliz em poder deixar de sentir dor. Pude ver com meus próprios olhos ao chegar nesse Hospital que o recurso investido pelo Governo e administrado por uma organização social retornou para a saúde de Ponta Porã com muita qualidade. Eu tinha desacreditado da saúde, mas estando aqui estou vendo que é possível ter esperança”, elogia.

“Falar em cirurgias eletivas agendadas no serviço público é investir hoje para deixar de fazer algo às pressas ou muitas vezes, mais caro e com mais riscos para o paciente amanhã, ou seja, quando operamos uma hérnia, ou uma vesícula eletiva hoje, deixamos de fazer esses procedimentos quando os pacientes estão com esses órgãos inflamados causando muitas dores”, afirma o diretor do Hospital, Dr. Mario Cesar Bitencourt Madureira.  

 

Para a equipe médica a volta das cirurgias representa um trabalho importantíssimo para o Hospital, por ser uma instituição pública, pois todo o recurso investido vem sendo devolvido para a sociedade em forma de saúde.  “Para nós médicos, é motivo de alegria saber que estamos retomando um serviço que é direito do paciente, e também porque estamos contribuindo para uma sociedade mais saudável através das cirurgias. Na minha especialidade, por exemplo, que é cirurgia geral e ginecologia, vejo muitas mulheres com hemorragia ou doenças uterinas sentindo fortes dores, um sofrimento desnecessário”, afirma Dr. Vilmar Neves.

O médico Silvio Roberto Rocha Antunez, cirurgião geral, médico do trabalho e especialista em ultrassonografia, explica que a fronteira tem uma particularidade – as patologias de vesícula são muitas no Hospital devido à alimentação dessa região. “Temos uma comida preparada com muita gordura, por isso há muitas cirurgias em pacientes que sofrem devido à presença de cálculos e pequenas pedras na vesícula. A abertura desses procedimentos tem melhorado a vida de muitos pacientes”.

 

Novos instrumentais cirúrgicos

Para que o Hospital pudesse oferecer segurança e obter bons resultados, foram entregues recentemente para a Central de Materiais Esterilizados, 42 novos instrumentais cirúrgicos para complementar e montar novas caixas cirúrgicas. Anteriormente havia apenas cinco caixas para atender todas as demandas de cirurgias do Hospital. 

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