Grãos: produtor deve aproveitar momento e vender

Com cotações acompanhando a alta do dólar, especialistas recomendam utilizar a oportunidade para comercializar a safra

Por: Roberta Silveira

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O dólar subiu mais de 3% ao longo de outubro, a maior alta em 11 meses. E o preço dos grãos acompanhou essa crescente. Como a valorização pode durar pouco tempo, a recomendação de especialistas é que o produtor rural aproveite o momento para comercializar a safra.

A alta do dólar trouxe boas oportunidades de negociação da safra de grãos. A indicação de analistas como Felipe Novaes, da Tendências Consultoria, é não deixar esse momento passar.

“O que a gente diz para o produtor agrícola hoje é que estes patamares do dólar são temporários e, portanto, uma possível oportunidade de comercialização se diluiria nas próximas semanas”, diz. Ele afirma que esta é uma chance de curtíssimo prazo para travar a comercialização e fixar preços.

Outubro

No início de outubro, o câmbio para a moeda norte-americana no Brasil era de R$ 3,15, fechando o mês perto de R$ 3,30. No mesmo período, o preço da soja no porto de Paranaguá, no Paraná, foi de R$ 70 para quase R$ 73 a saca.

A alta taxa de câmbio ajudou principalmente a comercialização de soja, em um ano em que o volume foi particularmente expressivo, segundo Felipe Novaes. “Pesou como um componente positivo neste final de outubro e, provavelmente,no começo de novembro”, diz.

Para o economista Jason Vieira, da Infinity Asset, as incertezas políticas no cenário brasileiro contribuem para a desvalorização do real frente ao dólar. Ele afirma que os investidores estrangeiros começam a ficar preocupados com o preço que Temer pagou para se manter no governo, e passam a ter dúvidas em relação a sua capacidade para aprovar a reforma da Previdência.

“Sem a Previdência, tem a perspectiva de perda de mais um grau de nossa classificação de risco e isto tenderia a levar à saída de investidores estrangeiros do Brasil”, afirma Vieira.

O mercado espera para esta quinta-feira, dia 2, a decisão de quem será o próximo comandante do Federal Reserve, o “Fed”, banco central dos Estados Unidos. O mandato da atual presidente, Janet Yellen, termina no começo de 2018 e a expectativa é de que ela não continue no cargo.

Acredita-se que a posição seja ocupada por Jerome Powell. “Ele é uma pessoa que no mercado financeiro se chama de  ‘dovish’, ou seja, não tem uma tendência de elevar os juros de maneira tão exacerbada, então isso pode refrear a alta global do dólar, que obviamente influencia em nível local”, afirma Jason Vieira.

 

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